terça-feira, 18 de outubro de 2011

Apontamentos sobre a Ideologia Alemã de Karl Marx

A obra de Marx e Engels ora analisada possui relevância essencial por conter a fundamentação crítica que esse autor atribui ao conceito de ideologia, e mesmo estando este inscrito em determinado contexto sócio-histórico por ele apreciado – o da Europa do século XIX, com especial ênfase na Alemanha, mas não esquecendo países como França e Inglaterra – pode ser transportado para qualquer outro contexto histórico, desde que seja capturado em sua essência e compreendido em profundidade.
Outros aspectos na obra são também importantes para pré-anunciar muitas outras idéias que serão melhor desenvolvidas em sua obra prima “O Capital”, tais como a alienação, a divisão social do trabalho e seus impactos na vida dos indivíduos, a propriedade privada e como ela foi se delineando ao longo da história da humanidade, a luta de classes, as desigualdades sociais, dentre outros conceitos.
Para melhor situar o trabalho dos autores, cabe referendar que partem de considerações à respeito das idéias dos filósofos alemães[1] intitulados como pós-hegelianos ou  jovens hegelianos. Marx e Engels indicam que tais autores, ao tentarem empreender críticas às idéias de Hegel, acabaram por discuti-las de maneira inadequada, insuficiente e vazia – baseando-se apenas em fraseologias – pois avaliaram aspectos daquele pensador de forma pontual, mantendo-se na superficialidade, o que ocasionou por emaranhá-los nas teias que acreditavam abominar.
Flaubert, por exemplo, ao posicionar-se “contra” Hegel defende que a alienação (religiosa) permanece no próprio homem, sujeito concreto de todo esse processo, enquanto Hegel defendia que a alienação é a contradição posicionada entre o pensamento abstrato e a realidade sensível, considerada como residente no campo do pensamento. Marx e Engels afirmam que, na realidade, Flaubert “escorregou” ao negligenciar a relação social objetiva na sua totalidade, ou seja, tal filósofo exalta a relação interpessoal em detrimento de sua relação com a realidade social. Referindo-se à esse filósofo, o texto esclarece: “Ele não critica as atuais condições de vida. Nunca chega, portanto, a considerar o mundo sensível como a soma da atividade viva e física dos indivíduos que o compõem [...]” (p. 46).
Para Marx e Engels, portanto, cada um desses filósofos, ou melhor, “ideólogos”, acreditando criticar a filosofia hegeliana, acabaram, na realidade, tomando apenas fragmentos, e convertendo-os, cada um à sua maneira, em idéias universais. À partir daí, passaram a deduzir todo o real, que transmutou-se em “real idealizado”. Nesse sentido, esses pensadores, mesmo acreditando que estariam fazendo frutíferas críticas à Hegel, estavam, na realidade, ignorando o contexto sócio-histórico alemão e a própria complexidade das idéias desenvolvidas pelo referido autor. Tais aspectos ficam bastante claros, em síntese, no trecho: “[...] não encontraremos um só crítico moderno que tenha sequer tentado fazer uma crítica de conjunto ao sistema hegeliano, embora cada um jure ter ultrapassado Hegel.” (p. 07).
O aspecto central que pretendemos enfatizar nesta resenha, entretanto, é o lugar estabelecido para a ideologia. Marx e Engels, como se pode perceber avaliando atentamente a obra, manifestam que a ideologia ocorre quando há a separação entre as idéias e as condições sócio-históricas em que estas estão inseridas. Nos filósofos por ele apresentados – chamando-os de cordeiros, mas reconhecendo-os como lobos – Marx tenta frisar que a ideologia sustentada por cada um deles permanece no campo da burguesia, da reprodução daquilo que permeia a realidade ideal burguesa.   
Nessa perspectiva, os referidos autores esclarecem que a “espiritualidade” dominante, hegemônica, de dada sociedade é conseqüência da dominação que inicia no campo material, no cotidiano da vida dos indivíduos, ou seja, nas palavras de Marx e Engels: “A classe que dispõe dos meios da produção material dispõe também dos meios da produção intelectual, de tal modo que o pensamento daqueles aos quais são negados os meios de produção intelectual está submetido também à classe dominante.” (p. 48). 
Assim, a ideologia é concebida como desencadeadora da alienação por impulsionar uma percepção abstrata e sonhadora da realidade, capaz de projetar na consciência dos indivíduos uma acepção fictícia do mundo situado no campo da pura teorização. Marx engendra nesse paradoxo fenômenos como a religião, a moral, as idéias político-burguesas, a metafísica, entre outros, compreendidos, cada um em sua especificidade, como produção espiritual da sociedade, como representações da consciência humana. Nessa perspectiva, se não referendadas, não relacionadas com as relações sociais à elas inerentes, a base material da história socialmente construída é ignorada por completo.  Marx e Engels colocam a postura por eles adotada da seguinte forma: “[...] partimos dos homens em sua atividade real, é a partir de seu processo de vida real que representamos também o desenvolvimento dos reflexos e das repercussões ideológicas desse processo vital.” (p. 19).
Marx e Engels afirmam ainda que essa ideologia ganha proporções assustadoramente alarmantes e assume autonomia, passando a ser considerada como norma universal, ou seja, aceita por todas às classes sociais, tornando-se fenômeno que se situa acima delas, enevoando o campo da consciência crítica da realidade, dos embates e das contradições, sendo considerados por todos, nas próprias palavras dos autores como “ [...] os únicos razoáveis, os únicos universalmente válidos” (p. 50) e as classes dominantes empreendem um máximo esforço para que isso de fato ocorra, pois legitima sua dominação.
      Para concluir, cabe considerar que a ideologia, na concepção ampliada de Marx, possui papel privilegiado, pois considerando que ao produzir os seus meios de existência, através do trabalho, os homens produzem indiretamente sua própria vida material e nessa produção são capazes de transformar e serem transformados, geram representações desta vida, ou seja, produzem a ideologia, capaz ela de fomentar a produção e reprodução da cultura na sociedade, incidindo diretamente nas relações sociais. À partir do momento que esses processos tornam-se conscientes, refletidos axiologicamente, Marx crê que é possível romper com toda a alienação e promover uma verdadeira transformação na sociedade.








[1] Em especial Ludwig Feuerbach, F. Strauss, Max Stirner e Bruno Bauer (esses dois últimos, inclusive, sendo referendados ironicamente por São Max e São Bruno).

segunda-feira, 4 de abril de 2011

 


Hoje é o aniversário de 42 anos da morte de uma grande personalidade mundial: Martin Luther King Jr. Um verdadeiro ícone no avanço dos direitos civis e na luta a favor da igualdade racial nos Estados Unidos. King recebeu o Prêmio Nobel da Paz, ainda em vida, aos 35 anos de idade, por sua militância pacífica no campo da discriminação e segregação racial. Religioso, era pastor da Igreja Batista e ficou famoso por sua oratória e discursos eloqüentes, mas muito sensatos, que traziam harmonia entre fé e razão. Seu discurso mais famoso “I Have a Dream” (Eu Tenho um Sonho) foi proferido diante do memorial Lincoln, em Washington na presença de milhares de expectadores e militantes de movimentos sociais.  Para homenageá-lo, reproduzirei aqui um de seus discursos que, na minha opinião, é um dos mais belos da história da humanidade:

I HAVE A DREAM
EU TENHO UM SONHO

Five score years ago, a great American, in whose symbolic shadow we stand today, signed the Emancipation Proclamation. This momentous decree came as a great beacon light of hope to millions of Negro slaves who had been seared in the flames of withering injustice. It came as a joyous daybreak to end the long night of their captivity.

Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros.

But one hundred years later, the Negro still is not free. One hundred years later, the life of the Negro is still sadly crippled by the manacles of segregation and the chains of discrimination. One hundred years later, the Negro lives on a lonely island of poverty in the midst of a vast ocean of material prosperity. One hundred years later, the Negro is still languished in the corners of American society and finds himself an exile in his own land. And so we've come here today to dramatize a shameful condition.

Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre.Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação. Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição.

In a sense we've come to our nation's capital to cash a check. When the architects of our republic wrote the magnificent words of the Constitution and the Declaration of Independence, they were signing a promissory note to which every American was to fall heir. This note was a promise that all men, yes, black men as well as white men, would be guaranteed the "unalienable Rights" of "Life, Liberty and the pursuit of Happiness." It is obvious today that America has defaulted on this promissory note, insofar as her citizens of color are concerned. Instead of honoring this sacred obligation, America has given the Negro people a bad check, a check which has come back marked "insufficient funds."

De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com “fundos insuficientes”.

But we refuse to believe that the bank of justice is bankrupt. We refuse to believe that there are insufficient funds in the great vaults of opportunity of this nation. And so, we've come to cash this check, a check that will give us upon demand the riches of freedom and the security of justice.

Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há fundoss insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim, nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas da liberdade e a segurança da justiça.

We have also come to this hallowed spot to remind America of the fierce urgency of Now. This is no time to engage in the luxury of cooling off or to take the tranquilizing drug of gradualism. Now is the time to make real the promises of democracy. Now is the time to rise from the dark and desolate valley of segregation to the sunlit path of racial justice. Now is the time to lift our nation from the quicksands of racial injustice to the solid rock of brotherhood. Now is the time to make justice a reality for all of God's children.

Também viemos a este lugar sagrado para lembrar à América da clara urgência do Agora. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo. Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia. Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial. Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.

It would be fatal for the nation to overlook the urgency of the moment. This sweltering summer of the Negro's legitimate discontent will not pass until there is an invigorating autumn of freedom and equality. Nineteen sixty-three is not an end, but a beginning. And those who hope that the Negro needed to blow off steam and will now be content will have a rude awakening if the nation returns to business as usual. And there will be neither rest nor tranquility in America until the Negro is granted his citizenship rights. The whirlwinds of revolt will continue to shake the foundations of our nation until the bright day of justice emerges.

Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação voltar aos negócios de sempre. E não haverá nem tranquilidade nem descanso na América até que o Negro tenha garantido seus direitos de cidadania. Os turbilhões da revolta continuarão a sacudir os fundamentos do nosso País até o luminoso dia da justiça.

But there is something that I must say to my people, who stand on the warm threshold which leads into the palace of justice: In the process of gaining our rightful place, we must not be guilty of wrongful deeds. Let us not seek to satisfy our thirst for freedom by drinking from the cup of bitterness and hatred. We must forever conduct our struggle on the high plane of dignity and discipline. We must not allow our creative protest to degenerate into physical violence. Again and again, we must rise to the majestic heights of meeting physical force with soul force.

Mas existe algo que eu devo dizer ao meu povo, que se encontra no caloroso limiar que conduz ao palácio da justiça: No processo de conquistar nosso legítimo lugar, nós não devemos ser culpados por atos de injusta. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre devemos conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. 

The marvelous new militancy which has engulfed the Negro community must not lead us to a distrust of all white people, for many of our white brothers, as evidenced by their presence here today, have come to realize that their destiny is tied up with our destiny. And they have come to realize that their freedom is inextricably bound to our freedom. We cannot walk alone.

A maravilhosa nova militância que mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar sozinhos.

And as we walk, we must make the pledge that we shall always march ahead. We cannot turn back.

E conforme nós caminhamos, nós devemos fazer a promessa que nós sempre marcharemos em frente. Nós não podemos retroceder. 

There are those who are asking the devotees of civil rights, "When will you be satisfied?" We can never be satisfied as long as the Negro is the victim of the unspeakable horrors of police brutality. We can never be satisfied as long as our bodies, heavy with the fatigue of travel, cannot gain lodging in the motels of the highways and the hotels of the cities. We cannot be satisfied as long as the negro's basic mobility is from a smaller ghetto to a larger one. We can never be satisfied as long as our children are stripped of their self-hood and robbed of their dignity by signs stating: "For Whites Only." We cannot be satisfied as long as a Negro in Mississippi cannot vote and a Negro in New York believes he has nothing for which to vote. No, no, we are not satisfied, and we will not be satisfied until "justice rolls down like waters, and righteousness like a mighty stream."

Existem aqueles que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, “Quando vocês estarão satisfeitos?” Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, exaustos pela fadiga da viajem, não puderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não podemos estar satisfeitos enquanto a mobilidade fundamental do Negro for passar de um gueto menor para um maior. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos filhos forem despojados de sua auto-capa e privadas da sua dignidade por cartazes que dizem: "Apenas para Brancos". Nós não podemos estar satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.

I am not unmindful that some of you have come here out of great trials and tribulations. Some of you have come fresh from narrow jail cells. And some of you have come from areas where your quest -- quest for freedom left you battered by the storms of persecution and staggered by the winds of police brutality. You have been the veterans of creative suffering. Continue to work with the faith that unearned suffering is redemptive. Go back to Mississippi, go back to Alabama, go back to South Carolina, go back to Georgia, go back to Louisiana, go back to the slums and ghettos of our northern cities, knowing that somehow this situation can and will be changed. Let us not wallow in the valley of despair

Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos da brutalidade policial. Vocês têm sido os veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé de que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não nos deixemos caiar no vale de desespero.

And so even though we face the difficulties of today and tomorrow, I still have a dream. It is a dream deeply rooted in the American dream.

Eu digo a vocês hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã, eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

I have a dream that one day this nation will rise up and live out the true meaning of its creed: "We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal."

Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença – nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.

I have a dream that one day on the red hills of Georgia, the sons of former slaves and the sons of former slave owners will be able to sit down together at the table of brotherhood.

Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.

I have a dream that one day even the state of Mississippi, a state sweltering with the heat of injustice, sweltering with the heat of oppression, will be transformed into an oasis of freedom and justice.

Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor da opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.

I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character. I have a dream today!

Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!

I have a dream that one day, down in Alabama, with its vicious racists, with its governor having his lips dripping with the words of "interposition" and "nullification" -- one day right there in Alabama little black boys and black girls will be able to join hands with little white boys and white girls as sisters and brothers. I have a dream today!

Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!

I have a dream that one day every valley shall be exalted, and every hill and mountain shall be made low, the rough places will be made plain, and the crooked places will be made straight; "and the glory of the Lord shall be revealed and all flesh shall see it together."

Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.

This is our hope, and this is the faith that I go back to the South with.

With this faith, we will be able to hew out of the mountain of despair a stone of hope. With this faith, we will be able to transform the jangling discords of our nation into a beautiful symphony of brotherhood. With this faith, we will be able to work together, to pray together, to struggle together, to go to jail together, to stand up for freedom together, knowing that we will be free one day…

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. 

Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós estaremos aptos a trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, ir para cadeia juntos, defender liberdade juntos, sabendo que estaremos livres um dia...

domingo, 27 de fevereiro de 2011

O GRITO DO ORIENTE MÉDIO

Em meio à onda de manifestações populares que clamam por democracia no Oriente Médio, alguns tentam desconstruir lutas genuínas com a justificativa de que grupos religiosos extremistas estão por trás dessas revoltas para tomar o poder.... Ora vejam só! Os Estados Unidos por anos apoiou, em todas as partes do mundo, regimes ditatoriais.  Para legitimar seu posicionamento sempre usam dos argumentos mais estapafúrdios possíveis, coisas do tipo “temos que ter o controle senão os extremistas tomam o poder”. Nas década de 60/70 o inimigo era o comunista, comedor de criancinhas e aliado do capeta.  Na atualidade, o inimigo é a Al’Qaida, que distorcidamente tornou-se sinônimo de mulçumano. Na realidade, por trás disso, como bem sabemos, há uma guerra por poder e dinheiro: no caso do oriente médio, a sede de controlar os poços de petróleo. Os EUA, para quem não sabe ou já se esqueceu, uniu-se a Hosni Mubarak (Egito) na sua homérica e insana guerra ao terror contra o Iraque de Saddan Hussein. Agora, com a pressão mundial, voltam atrás na postura que sustentaram durante todo esse tempo para saírem de “bons moços” na fita. Cabe a nós mantermos nossas críticas.


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O DOM DA TOLERÂNCIA


Há quem diga que escutar o próximo sem contestar é falta de personalidade. Há quem diga que calar no momento em que os ânimos estão alvoroçados é covardia. Há quem diga que perdoar uma grande ofensa é tolice. Há ainda quem diga que acreditar nas palavras de um desconhecido é ingenuidade. Mas eu, particularmente, digo que isso é tolerância.

Ser tolerante é escutar e compreender o lado do outro. Não necessariamente concordar, mas entender que existem opiniões divergentes e nem por isso significa que uma é inferior ou superior à outra. 

Ser tolerante é valorizar a alegria dos outros ao traduzirem suas experiências. É ser gentil quando recebemos grosserias porque o outro esta de mal humor ou não esta num bom dia. É ser justo  mesmo com aqueles que cometeram injustiças.

Ser tolerante é ser sensível às diferenças sem agredir ou sentir-se agredido. É perceber a pluralidade inerente às personalidades, estilos, idéias, prazeres e paixões de cada ser humano. É admitir que aquilo que eu não gosto também tem sua beleza, pois pôde conquistar outras pessoas. 

  

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Sempre me senti constrangida quando manicures lavam meus pés. Motivo? Não sei dizer ao certo, mas o fato é que sinto um desconforto tão considerável que só faço as unhas dos pés quando realmente estão horriveis. O que mais me causa admiração é que elas executam o trabalho com tanta naturalidade, verdadeiras profissionais. Aí sempre me recordo de Jesus... que demonstra o ato de lavar os pés do próximo como um sinal de humildade. 


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O REALISMO DE MADAME BOVARY


Como amante dos clássicos da literatura, sinto-me tentada a falar deles vez por outra. No momento, tenho pensado nas sandices de Emma Bovary, personagem de Flaubert, que, ao meu ver, além de padecer das futilidades advindas de uma vida de ócio, temperada pela leitura de romances irreais que lhe proporcionaram uma base de sonhos inatingíveis pela projeção de relacionamentos perfeitos, sofria também da psicose maníaco-depressivo. Há quem diga que Emma sofria de histeria. Inclusive relatos atestam que o autor pesquisou a doença para construir sua personagem. Entretanto, quem conhece o outro transtorno é capaz de detectar características muito mais tendenciosas àquele. Para quem quer se inteirar um pouco mais à respeito da referida doença, sugiro uma visitinha ao site: http://www.copacabanarunners.net/bipolar.html.  

Aquém de suas sandices, cabe frisar que Emma Bovary possui seus méritos por ser uma transgressora. Numa sociedade moralista, desafiou à tudo e todos para satisfazer os seus desejos mais íntimos, trazendo aos holofotes as ânsias femininas, por vezes ignoradas numa sociedade machista, atestando que, apesar das imposições culturais, não fomos feitas em fôrmas.      

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

AS BOAS MULHERES DA CHINA



No Brasil, não temos o hábito de estudar sobre a história do Oriente. Somos “eurocêncitros” e “americanocêntricos”. Uma pena! Deixamos de lado uma trajetória que muito tem a nos acrescentar. Nesse mês completa-se 73 anos que ocorreu um dos maiores massacres da humanidade: O Estupro de Nanquim (Nanjing Datsusha). O fato teve início quando, em 13 de dezembro 1937, tropas do exército imperial japonês, com a tomada da cidade de Nanquim, na China, começaram a executar pessoas de forma leviana e cruel. Em pouco tempo, os japoneses fizeram de todos os moradores prisioneiros (civis e militares) e os usaram como alvo nos exercícios de assalto com baionetas. Crianças foram enterradas vivas. Milhares de pessoas foram aglomeradas em valas e metralhadas por tropas japonesas. Mas o parêteses principal que quero abrir aqui se refere as atrocidades cometidas contra as mulheres e adolescentes: os soldados japoneses buscavam por elas para praticar estupros coletivos. Muitas foram arrastadas pelas ruas e colocadas em caminhões para serem escravas sexuais dos soldados e oficiais do exército imperial japonês. O governo Chinês estima que tenham morrido aproximadamente 250.000 mil pessoas nesse trágico evento.

Recomendo um livro muito bom, baseado em relatos reais de mulheres chinesas, entitulado “As Boas Mulheres da China”. Não aborda o massacre acima citado, mas pode proporcionar uma pequena dimensão do que têm sofrido as mulheres naquele país. A autora (Xin Ran) trabalhou como radialista no referido país e recebeu inúmeros apelos de mulheres vítimas dos mais diversos tipos de atricidades. Resolveu reuní-los e transformou-os num excelente livro. Relatos dolorosos de uma nação tão distante, com uma cultura que aparenta ser tão diversa da nossa, mas que, com um olhar mais minucioso, podemos perceber como o sofrimento, os abusos e a injustiça possuem uma linguagem universal.