sábado, 27 de novembro de 2010

O MITO DA VIRILIDADE MASCULINA




É comum escutarmos por aí que o apetite sexual masculino é maior que o feminino, que o homem tem mais necessidade de sexo que a mulher, ou ainda que eles necessitam se relacionar com diversas parceiras, coisa que a mulher não sente necessidade. Será isso uma prerrogativa biológica, imposição sócio-cultural ou apenas um mito?
O homem é incentivado a se relacionar sexualmente logo que atinge a puberdade, aliás, incentivo não é bem a palavra correta, melhor seria dizer pressionado. Sua disposição e desempenho sexual são vistos como prova de sua masculinidade. Essa cobrança se perpetua ao longo de toda a sua existência e as conseqüências atingem não apenas a eles mesmos, mas principalmente às mulheres, crianças e adolescentes.
As marcas dessa cultura são facilmente constatadas quando percebemos um mercado em assustadora expansão de sexo pago, com a proliferação de inúmeras “casas de massagem” pela nossa cidade para atender as “necessidades” sexuais de milhares de homens. Sem contar os casos de estupro e violência sexual contra crianças e adolescentes, onde os agressores muitas vezes são parentes próximos ou do ciclo de convívio e confiança das vítimas.
Até onde vai esse apetite sexual? Quanto vale um corpo feminino? Será o desejo maior que a dignidade humana, capaz de justificar qualquer abuso? O que a sociedade diz de um homem que freqüenta uma "casa de massagem”? Por outro lado, o que a sociedade diz de uma mulher prostituta? E por que não existem casas de massagem direcionadas ao público feminino? Questionar é refletir. Refletir é o primeiro passo para romper com a ignorância e alienação.

domingo, 21 de novembro de 2010

Dia da Consciência Negra



2007 - O pastor M.J.L.S., de 46 anos, enquanto aguardava um amigo num prédio na Rua Barão de Ipanema, em Copacabana, foi insultado pela síndica: “Mande esse negro tirar a mão do corrimão, pois já mandei limpar isso tudo hoje. Depois lave com desinfetante e desinfete mais ainda com álcool”.

2008 - O jogador de futebol C.A.G.J., de 24 anos, ao deixar o campo por ser substituído por outro jogador, numa partida entre Botafogo e Curitiba, foi xingado de "macaco" por um torcedor, que ainda lhe arremessou uma garrafa d'água.

2009 - O técnico em eletrônica J.A.S., de 39 anos, estava no estacionamento do Carrefour de Osasco, na Grande São Paulo, dentro do seu carro, um EcoSport, cuidando de sua filha de 2 anos, enquanto sua esposa fazia compra no supermercado. Então soou o alarme de uma moto que estava perto. J.A.S. saiu do carro para ver o que estava ocorrendo, quando foi cercado por cinco seguranças do supermercado que o espancaram por achar que ele estava tentando roubar a moto e o seu próprio carro. Na delegacia, a vítima declarou: Eles riram quando eu disse que o EcoSport era meu e disseram: ‘A sua cara não nega, negão’. Falaram que eu devia ter pelo menos três passagens pela polícia.”

2010 - A.I., de 28 anos, registrou um boletim de ocorrência informando que foi vítima de preconceito racial por parte de sua ex-chefe, Cristiane Sanches Loureunço Paim, de 39 anos. Segundo o boletim de ocorrência, a vítima afirmou que depois de uma audiência no Fórum Trabalhista, em que as duas participaram, a ex-chefe a atacou com ofensas como “negra safada, isso fica de esmola para você, sua pobre”.

Noticiados amplamente, há ainda milhares de outros exemplo como esses dentro e fora da mídia. Resolvi retratá-los para fazer calar aqueles que ainda tem a ousadia de propagar absusdos tais como: “no Brasil não existe preconceito racial”, ou mesmo que “os negros é que têm preconceito contra eles mesmos.” A negação da existência do preconceito é o principal sintoma da existência dele. É preciso admitir o erro para tornar possivel a verdadeira transformação pessoal e social. Recomendo dois filmes excelentes chamados Amistad, que apresenta fato ocorrido em 1839 nos Estados Unidos e Tempo de Matar, que retrata um período mais atual. Ambos oferecem inúmeros elementos para uma profunda reflexão.  

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Até onde vai a Futilidade Humana?



Parafraseando o título de outra postagem que fiz aqui no blog, mas para analisar diferente mazela que vêm acometendo milhões de seres humanos ao redor do nosso globo terrestre, o tema de hoje é: a futilidade. A noiva do príncipe William, Kate Middleton, apareceu na mídia para anunciar seu noivado com o referido, usando um modelito de uma estilista brasileira, a qual não convém citar o nome para não fomentar mais ainda a futilidade alheia. Pois bem, o fato é que no dia seguinte à aparição apocalíptica, a loja da estilista, que possui uma filial no Rio de Janeiro, foi invadida por madames desocupadas e desesperadas que compraram todos os vestidos do estoque. Talvez desocupadas não seja bem a palavra correta, estou sendo deveras injusta, tendo em vista que elas se ocupam sim, já que passam boa parte do dia à conferir o que usam as "celebridades" e à descobrir onde podem comprar igual. Convenhamos, trata-se de um verdadeiro trabalho investigativo e que exige muita concentração para não deixar passar nenhum detalhe. Ah! Exige agilidade também, é claro, pois correm o risco de encontrarem o estoque vazio. Well, well, well (como diria Sawer), uma pessoa capaz de pagar R$ 4.000,00 porque precisa de uma roupa exclusiva, à lá noiva do príncipe Charles, dentre otras cositas más, para se sentir “única e especial” me faz refletir... até onde vai a futilidade humana?


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Miserável pra mim é quem tem Espírito de Porco.

Um apresentador de TV da RBS (afiliada da Globo em Santa Catarina) disse no ar, na ultima segunda-feira, as seguintes palavras: “Hoje, qualquer miserável tem um carro. O sujeito nunca leu um livro, mora apertado numa gaiola que chamam de apartamento, não tem nenhuma qualidade de vida, mas tem um carro na garagem.” É... a velha e boa burguesia insiste em colocar suas garrinhas de fora. E pior! Acha que está dando um tremendo sermão através de uma crítica esplendorosa. Miserável mesmo é quem tem uma concepção dessas. Quem comete uma injustiça é sempre mais infeliz que o injustiçado.


terça-feira, 16 de novembro de 2010

Até onde vai a Crueldade Humana?

Moradores de rua em Fortaleza foram atacados recentemente com tiros de espingarda do tipo chumbinho. Para quem não sabe, essas benditas, ou melhor, malditas armas machucam um bocado. Os bandidos foram detidos ontem pela manhã logo após atingir outro morador de rua no olho. Os ditos são três jovens de classe média alta e um deles, dono de badalado restaurante na nossa terrinha, certamente o atirador, até já fez curso básico de tiro, do qual agora já sabemos bem com que finalidade. Mas pasma mesmo eu fiquei foi com os comentários postados logo abaixo dessa notícia (que li na internet) pelos leitores, coisas do tipo: “não que justifique, mas o empresário deve ter tido seus motivos”... blá, blá, blá... e outras mais atrocidades tantas. As postagens? Todas anônimas, é claro. Bem o perfil desses cretinos (como diria Holden Caulfield).  Alguns dias atrás, em São Paulo, jovens atacaram ferozmente homossexuais na rua. A mãe de um dos agressores declarou: “meu filho (tadinho dele!) fez isso porque foi ofendido moralmente”.  Uma idéia, uma palavra, um pensamento, pode traduzir todo o preconceito e podridão que carregamos no peito. Pessoas assim são tão criminosas quanto os que cometem o delito, porque pode até ser que nunca cheguem às vias de fato, mas vão espalhar por aí muita coisa imprestável, capaz de “justificar” muitas atitudes criminosas. Insanos? Inconsequentes? Não, acho que a palavra que melhor se encaixa é cruéis.  

sábado, 13 de novembro de 2010

QUEM SE INTERESSA PELOS CLÁSSICOS?

Sempre fui curiosa. E como toda boa curiosa gosto de questionar. Questionar fatos, eventos, clichês, paradigmas. Sempre gostei de ler e desde cedo me interessei pelos clássicos da literatura, justamente porque queria descobrir o que faz deles clássicos. E, de fato posso atestar, são obras de arte, um retrato da realidade como sem igual, mesmo que tratem de histórias fictícias. Crime e Castigo, 1984, As Vinhas da Ira, Os Miseráveis, Ensaio sobre a Cegueira, Grandes Esperanças. Entretanto, me assusto um pouco ao perceber que poucas pessoas por eles se interessam, e pior, estão substituindo-os por literatura infame, fútil e simplória. Os clássicos se tornaram chatos, enfadonhos, pouco atrativos.... mas porque será? Cabe primeiro avaliar o que significa “chato”. Podemos dizer que trata-se de algo pouco atrativo, pouco interessante, não digno de atenção. Será que um clássico realmente se enquadra nesses termos? Porque nos interessa ler sobre bruxos, vampiros, fadas, serial killers, mas não nos interessamos em compreender melhor os problemas sociais,as relações humanas, como funciona a política ou a economia? Alienar-se é manter-se distante da realidade, é viver na ilusão, é acreditar que tudo vai bem, que se as coisas ocorrem de determinada maneira é porque Deus quis assim.... será?   

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Postagem Inaugural

Sempre tive interesse em ter um blog, mas não sabia como. Aliás, melhor dizendo, nunca tinha me empenhado em descobrir. Agora, recém inaugurando tal distração proveitosa, posso compartilhar pensamentos mesmo que a ninguém interesse. Um exercício novo, um local para publicar e semear idéias, daí o nome que escolhi para esse espaço. É... a internet tem seus encantos... À todos que visitam este blog: sejam bem vindos e espero não enfadá-los com minha prosa.