No Brasil, não temos o hábito de estudar sobre a história do Oriente. Somos “eurocêncitros” e “americanocêntricos”. Uma pena! Deixamos de lado uma trajetória que muito tem a nos acrescentar. Nesse mês completa-se 73 anos que ocorreu um dos maiores massacres da humanidade: O Estupro de Nanquim (Nanjing Datsusha). O fato teve início quando, em 13 de dezembro 1937, tropas do exército imperial japonês, com a tomada da cidade de Nanquim, na China, começaram a executar pessoas de forma leviana e cruel. Em pouco tempo, os japoneses fizeram de todos os moradores prisioneiros (civis e militares) e os usaram como alvo nos exercícios de assalto com baionetas. Crianças foram enterradas vivas. Milhares de pessoas foram aglomeradas em valas e metralhadas por tropas japonesas. Mas o parêteses principal que quero abrir aqui se refere as atrocidades cometidas contra as mulheres e adolescentes: os soldados japoneses buscavam por elas para praticar estupros coletivos. Muitas foram arrastadas pelas ruas e colocadas em caminhões para serem escravas sexuais dos soldados e oficiais do exército imperial japonês. O governo Chinês estima que tenham morrido aproximadamente 250.000 mil pessoas nesse trágico evento.
Recomendo um livro muito bom, baseado em relatos reais de mulheres chinesas, entitulado “As Boas Mulheres da China”. Não aborda o massacre acima citado, mas pode proporcionar uma pequena dimensão do que têm sofrido as mulheres naquele país. A autora (Xin Ran) trabalhou como radialista no referido país e recebeu inúmeros apelos de mulheres vítimas dos mais diversos tipos de atricidades. Resolveu reuní-los e transformou-os num excelente livro. Relatos dolorosos de uma nação tão distante, com uma cultura que aparenta ser tão diversa da nossa, mas que, com um olhar mais minucioso, podemos perceber como o sofrimento, os abusos e a injustiça possuem uma linguagem universal.

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