Como amante dos clássicos da literatura, sinto-me tentada a falar deles vez por outra. No momento, tenho pensado nas sandices de Emma Bovary, personagem de Flaubert, que, ao meu ver, além de padecer das futilidades advindas de uma vida de ócio, temperada pela leitura de romances irreais que lhe proporcionaram uma base de sonhos inatingíveis pela projeção de relacionamentos perfeitos, sofria também da psicose maníaco-depressivo. Há quem diga que Emma sofria de histeria. Inclusive relatos atestam que o autor pesquisou a doença para construir sua personagem. Entretanto, quem conhece o outro transtorno é capaz de detectar características muito mais tendenciosas àquele. Para quem quer se inteirar um pouco mais à respeito da referida doença, sugiro uma visitinha ao site: http://www.copacabanarunners.net/bipolar.html.
Aquém de suas sandices, cabe frisar que Emma Bovary possui seus méritos por ser uma transgressora. Numa sociedade moralista, desafiou à tudo e todos para satisfazer os seus desejos mais íntimos, trazendo aos holofotes as ânsias femininas, por vezes ignoradas numa sociedade machista, atestando que, apesar das imposições culturais, não fomos feitas em fôrmas.

