segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O REALISMO DE MADAME BOVARY


Como amante dos clássicos da literatura, sinto-me tentada a falar deles vez por outra. No momento, tenho pensado nas sandices de Emma Bovary, personagem de Flaubert, que, ao meu ver, além de padecer das futilidades advindas de uma vida de ócio, temperada pela leitura de romances irreais que lhe proporcionaram uma base de sonhos inatingíveis pela projeção de relacionamentos perfeitos, sofria também da psicose maníaco-depressivo. Há quem diga que Emma sofria de histeria. Inclusive relatos atestam que o autor pesquisou a doença para construir sua personagem. Entretanto, quem conhece o outro transtorno é capaz de detectar características muito mais tendenciosas àquele. Para quem quer se inteirar um pouco mais à respeito da referida doença, sugiro uma visitinha ao site: http://www.copacabanarunners.net/bipolar.html.  

Aquém de suas sandices, cabe frisar que Emma Bovary possui seus méritos por ser uma transgressora. Numa sociedade moralista, desafiou à tudo e todos para satisfazer os seus desejos mais íntimos, trazendo aos holofotes as ânsias femininas, por vezes ignoradas numa sociedade machista, atestando que, apesar das imposições culturais, não fomos feitas em fôrmas.      

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

AS BOAS MULHERES DA CHINA



No Brasil, não temos o hábito de estudar sobre a história do Oriente. Somos “eurocêncitros” e “americanocêntricos”. Uma pena! Deixamos de lado uma trajetória que muito tem a nos acrescentar. Nesse mês completa-se 73 anos que ocorreu um dos maiores massacres da humanidade: O Estupro de Nanquim (Nanjing Datsusha). O fato teve início quando, em 13 de dezembro 1937, tropas do exército imperial japonês, com a tomada da cidade de Nanquim, na China, começaram a executar pessoas de forma leviana e cruel. Em pouco tempo, os japoneses fizeram de todos os moradores prisioneiros (civis e militares) e os usaram como alvo nos exercícios de assalto com baionetas. Crianças foram enterradas vivas. Milhares de pessoas foram aglomeradas em valas e metralhadas por tropas japonesas. Mas o parêteses principal que quero abrir aqui se refere as atrocidades cometidas contra as mulheres e adolescentes: os soldados japoneses buscavam por elas para praticar estupros coletivos. Muitas foram arrastadas pelas ruas e colocadas em caminhões para serem escravas sexuais dos soldados e oficiais do exército imperial japonês. O governo Chinês estima que tenham morrido aproximadamente 250.000 mil pessoas nesse trágico evento.

Recomendo um livro muito bom, baseado em relatos reais de mulheres chinesas, entitulado “As Boas Mulheres da China”. Não aborda o massacre acima citado, mas pode proporcionar uma pequena dimensão do que têm sofrido as mulheres naquele país. A autora (Xin Ran) trabalhou como radialista no referido país e recebeu inúmeros apelos de mulheres vítimas dos mais diversos tipos de atricidades. Resolveu reuní-los e transformou-os num excelente livro. Relatos dolorosos de uma nação tão distante, com uma cultura que aparenta ser tão diversa da nossa, mas que, com um olhar mais minucioso, podemos perceber como o sofrimento, os abusos e a injustiça possuem uma linguagem universal.